Borracha vai ajudar agricultura familiar a encontrar sustentabilidade, afirma pesquisadora

O projeto nacional de Sistemas Agroflorestais, que será desenvolvido pela Embrapa Solos em 2005, vai utilizar a seringueira como a cultura principal, visando à sustentabilidade da agricultura familiar, uma vez que estará consorciada a outras plantas, como café, palmito, maracujá, abacaxi, milho, arroz, feijão, entre outras.

O projeto piloto será realizado no Rio de Janeiro e em Minas Gerais , que ainda não têm sistemas de plantio desenvolvidos da seringueira.

A informação foi dada à Agência Brasil pela pesquisadora da Embrapa Solos Ciríaca Santana do Carmo, coordenadora do projeto. Esse sistema será monitorado economicamente, no que diz respeito às culturas consorciadas com a seringueira, e também nas partes social e ambiental, revela Ciríaca.

Ela destaca, entretanto, que outros estados, como Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Espírito Santo, já possuem sistemas florestais dedicados à seringueira associada com outras culturas.

Como a seringueira demora a produzir, em média entre 7 e 8 anos, as culturas a ela associadas vão amortizando o custo da área que está ocupada, gerando retorno ao produtor, afirma a pesquisadora. A Embrapa Solos está, no momento, em parceria com a Pesagro, produzindo mudas e instalando toda a infra-estrutura necessária, trazendo material de São Paulo e Espírito Santo para enxertar. As mudas serão plantadas nos assentamentos pilotos do Rio de Janeiro e Minas no início do período chuvoso, que ocorre em outubro/novembro.

No estado do Rio já existem alguns plantios de seringueira bem manejados, datados da década de 80. Ciríaca do Carmo afirma que um dos produtores, Carlos Frederico, do município fluminense de Guapimirim, vende o quilo do coágulo (látex natural colhido da planta) a R$ 1,50. Quando beneficiada, a borracha tem seu custo no mercado nacional elevado para R$ 4 o quilo.

Em nível nacional, a pesquisadora destacou que o projeto da Embrapa Solos, envolvendo 250 mil mudas que São Paulo está preparando para plantar em 15 anos, deverá contribuir para reduzir a elevada importação do produto registrada pelo Brasil, hoje de 60%. Ciríaca do Carmo lembra que "cada vez que o país se desenvolve mais, ele usa mais borracha natural". A borracha sintética é derivada do petróleo, que, lembra ela, é um recurso natural não renovável e atualmente poluente. "O Brasil tem a borracha natural. Só falta plantar", indica. (Alana Gandra/Agência Brasil)

fonte: Agência Brasil em 11/12/2004

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