Desafios para os sistemas agroflorestais

Evento realizado em Cuiabá, MT, discute os caminhos para o desenvolvimento dos SAFs no Brasil

Os desafios para os sistemas agroflorestais foram o tema central da programação desta quarta-feira do Congresso Brasileiro de SAFs. O evento está sendo realizado na Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá (MT).

Demandas de pesquisa, linhas de financiamento, transferência de tecnologia, extensão rural e pagamento por serviços ambientais foram alguns dos pontos destacados em palestras e mesas redondas.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS) Milton Padovan, apresentou uma pesquisa feita com agricultores e técnicos na qual levantou diversas informações sobre percepção, adoção, intensão de adoção e gargalos sobre sistemas agroflorestais em configuração de sistemas agrosilvipastoris (ILPF) e em agroflorestas biodiversas.

Na adoção de ILPF, a falta de mão-de-bra qualificada, as variações de mercado da espécie arbórea utilizada, a falta de compensação pelos serviços ambientais e baixa atenção dada aos agricultores familiares nos modelos estudados são fatores limitantes apontados.

Já nas agroflorestas biodiversas os principais fatores limitantes são a crença na demora na obtenção de lucro, a falta de assistência técnica capacitada, a falta de incentivos governamentais e o desconhecimento técnico sobre SAFs.

Diante destas informações, Padovan elenca como desafios, entre outros, o fortalecimento de linhas de crédito para as modalidades de sistemas agroflorestais, o incentivo às políticas de pagamento por serviços ambientais, a melhoria da assistência técnica e extensão rural, a ampliação de pesquisas e da divulgação de resultados com diferentes espécies arbóreas e a intensificação das pesquisas focadas na avaliação econômica dos sistemas.

O pesquisador ainda ressaltou a necessidade da inovação nas ações de transferência de tecnologia, de modo a facilitar a apropriação dos conhecimentos pelos produtores.

"É preciso avançar em outras metodologias de transferência de tecnologia. É preciso encontrar outras ferramentas, outras alternativas", destacou Milton Padovan.

Em uma mesa redonda sobre os desafios da pesquisa em SAFs, o professor da Esalq/USP Marcos Bernardes ressaltou a necessidade da pesquisa ser desenvolvida mais próxima dos agricultores, estudando as experiências empíricas de campo. Também enfatizou a necessidade dessa interação ser feita no nível das instituições, de maneira institucionalizada, e não apenas dependendo de interações pessoais de alguns pesquisadores.

Ao apresentar dados de pesquisa sobre efeitos do sombreamento de árvores em outras culturas, o professor ainda destacou a necessidade de realização de estudos sobre as interações complexas entre os componentes de um sistema agroflorestal, de maneira a aprofundar o conhecimento.

A programação desta quarta-feira também contou com mesas redondas sobre os desafios para as políticas públicas em SAFs e para crédito rural e comercialização. O congresso ainda teve quatro minicursos, quatro palestras técnicas e apresentações de trabalhos em formato oral e em pôsteres.

Fonte: Embrapa em 27 de outubro de 2016


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