Copas de árvores têm 18 milhões de espécies

Letícia Lins

RECIFE. Tidos pelos pesquisadores como uma das últimas fronteiras da ciência, os dosséis representam um mistério tão grande a ser desvendado quanto as profundezas do oceano. Os dosséis das florestas são formados pelas copas das árvores e abrigam um número espantoso de plantas e animais, grande parte deles ainda desconhecida. Estima-se que habitem esse ecossistema mais de 18 milhões de espécies, das quais apenas 35% já teriam sido descritas.

Considerados pelos especialistas "um mundo ainda desconhecido", os dosséis já começaram a ser estudados de forma sistemática em alguns países como Austrália, Suíça, Alemanha, Estados Unidos, Venezuela e Panamá. Mas somente agora serão estudados no Brasil.

De acordo com especialistas europeus, existem 18,6 milhões de espécies de seres vivos nos dosséis, das quais somente 6,5 milhões já teriam sido descritas. As aranhas e os insetos estariam entre as espécies inéditas mais
numerosas. Eles calculam em 7,5 milhões os aracnídeos inéditos e em 8 milhões os insetos desconhecidos. Os dosséis abrigariam, ainda, 250 mil espécies de crustáceos, 200 mil moluscos, 200 mil protozoários, 48,6 mil mamíferos e 500 mil anelídeos jamais descritos. Estima-se que haja um milhão de fungos inéditos, assim como 300 mil plantas e 400 mil bactérias.

Pesquisa ajuda a entender clima

É justamente para investigar os dosséis da vegetação tropical que o Brasil vai passar a integrar o Programa Dossel Global, formado por cientistas de várias partes do mundo. No país, as pesquisas começarão em Pernambuco, segundo nformaram o secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do estado, Cláudio Marinho, e a professora-adjunta do Departamento de Genética da Universidade Federal de Pernambuco Ana Maria Benko-Iseppon.

Segundo a professora, o Programa Dossel Global tem por objetivo estudar a copa de árvores em todas as matas preservadas do planeta. O esforço é para que os estudos sejam inicialmente implementados em 12 países, sob a Coordenação do pesquisador Andrew Mitchell, da Universidade de Oxford. No Brasil, os trabalhos serão desenvolvidos em colaboração com a Universidade de Leipzig, na Alemanha, sob a coordenação do professor Wilfried Morawetz, que também é diretor do Jardim Botânico e Herbário de Leipzig.

Ana lembra que os dosséis abrigam a maior parte da vida das florestas tropicais. Além da fauna e da flora, os pesquisadores pretendem investigar a sua importância na manutenção da umidade e sua influência no clima de cada
região. Em Pernambuco, a primeira floresta a ser investigada fica na reserva de Dois Irmãos, um dos resquícios de Mata Atlântica da região metropolitana, e considerada de localização estratégica por estar próxima a duas universidades.

Os estudos dos dosséis poderão, no futuro, orientar ambientalistas na preservação das matas e na elaboração de planos de reflorestamento.

- Quando uma árvore tomba na mata, geralmente leva um corredor inteiro, numa espécie de suicídio coletivo. Mas as clareiras que elas abrem terminam fazendo germinar milhares de sementes que foram jogadas pelos
dosséis, recompondo-se a mata. Quando é o homem que derruba a floresta, muitas não conseguem se restabelecer - explica Ana.

Desafio é estudar sem destruir

Estudar os dosséis preservando a mata é outro desafio a ser enfrentado pelos cientistas. Para se chegar ao topo de árvores seculares, boa parte da vida encontrada no caminho pode ser destruída. Em matas nativas, há árvores com mais de 60 metros de altura. Os métodos para atingir o topo das árvores são muitos: escalada com cordas, passarelas suspensas com cordas, balão dirigível, torres, guindaste sobre trilhos ou guindaste comum. No Brasil, as pesquisas serão efetuadas com o último equipamento, que será importado ao custo de US$ 350 mil, financiados por universidades e empresas européias, como a Volkswagen.

Os guindastes têm bom acesso, propiciam pesquisas de longa duração, não prejudicam os dosséis e atuam em raios de 100 a 120 metros, cobrindo umaárea de um hectare. Eles já são utilizados desde 1990 em pesquisas na América do Norte, América Central e na América do Sul. Também são usados na Europa, em países como Alemanha e Suíça. Na Austrália eles servem não somente para investigar as matas, como também para o ecoturismo. Na França, a maior parte dos estudos é feito a bordo de um balão dirigível.

No Brasil, a equipe de pesquisadores da UFPE, secretaria e universidades européias será formada de botânicos, zoólogos, geneticistas, climatologistas, ecólogos, microbiologistas, etc. A secretaria cederá imóvel para instalação de laboratório, e os equipamentos serão financiados por estrangeiros. O estudo demandará 20 anos e deverá consumir mais de 800 mil euros na instalação de gruas, observatórios e outros equipamentos.

fontE: Data: 18/10/2003http://www.grupos.com.br/grupos/redeflorestal-rj

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