Sistemas Agroflorestais são Alternativa ao Desmatamento na AM

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tem estudado novas estratégias para recuperação de áreas abandonadas da região amazônica. A tecnologia agroflorestal, que visa a produção de alimentos e renda, pode ser uma alternativa para evitar o avanço sobre áreas de floresta primária e tornar produtivas essas áreas abandonadas.

Os sistemas agroflorestais (SAF) combinam espécies arbóreas lenhosas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos agrícolas e/ou animais. Este tipo de uso da terra é considerado sustentável porque uma área com SAF pode ser usada permanentemente, minimizando a necessidade de derruba e queima da floresta e aumentando as chances de fixação do homem no campo.

Os SAFs têm feito parte das diretrizes centrais de desenvolvimento rural sustentável, pois podem ser implantados em áreas alteradas com diferentes níveis de degradação, contribuindo para a redução do desmatamento de novas áreas de floresta primária.

Vantagens sócio-econômicas dos SAF, segundo a pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus/AM) Joanne Régis da Costa, podem ser resumidas na combinação de produtos de mercado e de subsistência que permite limitar os riscos climáticos ou de mercado; a mão-de-obra mais bem distribuída ao longo do tempo e a obtenção de um número maior de produtos a partir de uma mesma unidade de área, decorrente da diversidade de espécies plantadas.

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental têm avaliado quatro modelos de sistemas agroflorestais implantados em 1992 em áreas de pastagens degradadas, no Campo Experimental do Distrito Agropecuário da Suframa, km 54 da BR-174, em Manaus (AM). Os sistemas foram implantados em áreas de pastagens submetidas ao pastejo intensivo por um período que variou de 4 a 8 anos.

O desempenho das espécies utilizadas indicou que açaí, colubrina ou capoeirão (madeirável), cupuaçu, pupunha, araçá-boi, castanha-do-brasil, mogno, gliricídia e ingá toleram o nível de degradação dos solos avaliados. Não apresentaram bom desempenho nestes solos as espécies acerola, jenipapo, paricá e teca.

Segundo o pesquisador Silas Garcia, a produtividade dos sistemas agroflorestais é dependente de boas práticas agronômicas e silviculturais, o que implica na necessidade do produtor ter conhecimento sobre essas práticas tanto em um nível maior de manejo integrado da propriedade agrícola, como em um nível mais específico quando se trata do comportamento de cada espécie. Neste sentido, a Embrapa tem oferecido cursos, dias de campo e palestras, para levar a tecnologia agroflorestal a produtores rurais e técnicos extensionistas.em propriedades agrícolas.

Sabe-se, porém, que o conhecimento da prática agroflorestal por si só não garantirá que a mesma seja utilizada. O produtor precisa também de apoio técnico permanente e mínimo apoio financeiro, para que a mudança no manejo de suas áreas possa ser realmente promovida.

As últimas notícias sobre o desmatamento na Amazônia divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que a região perdeu 26.130 km2 de floresta entre 2003 e 2004. É a segunda maior taxa de desmatamento da história da região. O desmatamento está ligado à exploração florestal, agricultura de corte e queima, mais recentemente ao plantio de soja, mas principalmente, à criação de pastagens. Mais de 40% das pastagens cultivadas atualmente apresentam algum estágio de degradação.

Para mais informações sobre o SAF, contactar o Serviço de Atendimento ao Cidadão - SAC ([email protected]). A Embrapa também dispõe de um Sistema de Informações de Sistemas Agroflorestais (SISAF), onde o interessado pode tomar conhecimento sobre publicações, eventos, manejo agroflorestal, resultados de pesquisas etc. Basta acessar o site www.cpaa.embrapa.br , entrar no ícone "Conheça nossas principais áreas de pesquisa" e clicar em SI.

fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 25/05/05

 

 

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