Agrofloresta: Cultivando Justiça Social

 

Visão Mundial incentiva Cooperativa de Agrofloresta em Barra do Turvo

A terra já não garantia mais o sustento da família de seu Sezefredo Gonçalves da Cruz e a única solução era vender a fazenda e tentar a sorte em outro lugar. Assim como ele, dezenas de outros agricultores de Barra do Turvo, no Vale da Ribeira, interior de São Paulo, estavam buscando novas possibilidades: a terra, castigada pelo cultivo da monocultura - ou agricultura de subsistência - com o uso de veneno, já não produzia o suficiente para garantir o sustento. E o que era produzido não garantia o lucro: "a gente não conseguia vender, o intermediário é que carregava o lucro", conta Sezefredo. Isso aconteceu em 1996. Sete anos depois, seu Sezefredo nem imagina a possibilidade de deixar sua plantação: na mesma área colocada à venda hoje ele colhe feijão, jaca, pupunha, palmito híbrido, mexerica, banana e outras tantas espécies. "Não vivo da natureza, aprendi a conviver com ela".

Seu Sezefredo, com apoio da Visão Mundial, começou a trabalhar a terra com o sistema de agroflorestal, que consiste em substituir as técnicas tradicionais de agricultura, como o fogo, a capina e o arado por uma convivência harmoniosa e criativa com as espécies, reproduzindo uma floresta, com várias espécies, legumes e verduras inclusive, árvores frutíferas e madeiras. De acordo com Ernst Götsch, um agrônomo suíço, que trocou o trabalho em um laboratório de melhoria genética de plantas para desenvolver a técnica da agrofloresta no Brasil, o sistema recupera o solo, aumenta a produção e renda do agricultor: "É um sistema viável, de menor custo e maior lucro. É a substituição da concorrência e competição fria, que causa escassez, conflito e falência por um sistema inteligente", defende o agrônomo.

Em Barra do Turvo, a Cooperativa de Agrofloresta conta com 70 famílias. A de Pedro Oliveira de Souza também já estava desiludida com a terra quando conheceu o sistema: "Na verdade, eu estava desesperado quando apareceu essa história de agrofloresta. Eu era obrigado a trabalhar fora para colocar dinheiro em casa. Antes tinha que derrubar um monte de capoeira para plantar uma coisa que talvez nem fosse colher. Agora não, plantei um canteiro de alface, achei que não estava bom e plantei junto uma bananeira e um pé de jaca. Colhi a alface e a banana. E a jaqueira já tem mais de um metro. Me sinto uma pessoa útil no mundo".

Pedro está na região há mais de 20 anos e foi eleito presidente da Cooperativa de Agrofloresta de Barra do Turvo. Através do sistema de agrofloresta já foi plantados na região o mangustão, uma das frutas mais caras do mundo, e diversas frutas amazônicas. Junto com as várias espécies são cultivados adubos naturais, que vão enriquecendo o solo. "Nós plantamos sem usar nenhum veneno na terra, plantamos o feijão, a banana, o abacate, a jaca. A gente colhe o feijão e já fica esperando outras coisas do mesmo lugar, a produção só vai aumentando", comemora Claudinei Maciel, há três anos participando da Cooperativa de agrofloresta. "Eu não tinha fonte de renda, mas já consigo me manter com a produção". Mesmo sem conhecer Ernst, o criador da agrofloresta, Pedro, Sezefredo, Claudinei e dezenas de outros agricultores concordam com o agrônomo suíço que aponta a agrofloresta como resposta para a agricultura: "plantar não deve ser negócio para grandes empresas, mas para pequenos produtores, agricultura familiar".

Há dois anos a Cooperativa está comercializando seus produtos na Feira orgânica de Curitiba e também na Feira de Barra do Turvo. Além dos produtos agrícolas, a Cooperativa produz balas e doces de banana sem adição de açúcar, em máquinas compradas pela Visão Mundial, que também são vendidos na feira e para outros estados, como Rio de Janeiro. Os produtos que sobram da feira são vendidos a R$ 0,25 para uma favela de Curitiba. "Começamos a fazer isso e os outros feirantes estão fazendo também. É melhor receber esse dinheiro do que voltar para casa com as sobras. Ajudamos a comunidade e eles nos ajudam também", conta Claudinei.

A comunidade que recebe as sobras dos produtos da feira, em Curitiba, já fez campanha para doar roupas e sapatos para as famílias dos agricultores.

Visão Mundial: Quem somos e como trabalhamos

A Visão Mundial é uma Organização Não Governamental (ONG) Humanitária Cristã, que promove a justiça, o desenvolvimento transformador sustentável e socorro em situações de emergência. Está presente no Brasil há 26 anos, beneficiando hoje mais de 3,7 milhões de brasileiros.São desenvolvidos e apoiados 76 projetos sociais, que recebem da Visão Mundial suporte técnico e financeiro. Os projetos se concentram em regiões empobrecidas como o Nordeste do Brasil, Norte de Minas Gerais, Amazonas, Tocantins e nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Esses projetos contam com programas nas áreas de saúde, educação, desenvolvimento comunitário, agroecologia, desenvolvimento econômico, direitos humanos e emergência, trazendo esperança não somente às crianças empobrecidas, mas também às comunidades onde vivem com as suas famílias.

 


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É um serviço de Cristiano Gomes e L&C Soluções Socioambientais

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