Única cooperativa com açaizal certificado do mundo conquista mais um selo de qualidade

Cooperativa do Bailique, no Amapá, foi certificada pelo trabalho de proteção ao meio ambiente.


No Arquipélago do Bailique, distrito a 160 quilômetros da sede de Macapá, a Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas (AmazonBai), única no mundo a ter açaizal certificado, agora também conquistou a certificação para a manutenção dos estoques de carbono e proteção à biodiversidade.

Na prática, significa que a entidade do Amapá sela o compromisso de promover ações em defesa do meio ambiente, desenvolvendo o manejo do açaí conforme exigências internacionais de qualidade, sem degradação do espaço e com a garantia do reflorestamento. É uma alternativa à exploração predatória.

A cooperativa foi certificada pela FSC Brasil, considerada o selo verde mais reconhecido em todo o mundo, com presença em mais de 75 países e em todos os continentes. FSC é uma sigla em inglês para a palavra Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal, em português.

A conservação das florestas está no centro das discussões sobre proteção do meio ambiente, como forma de amenizar os problemas de aquecimento global e proteger a biodiversidade.

Seguindo essa filosofia, o presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique (ACTB), criadora da AmazonBai, fala com orgulho de mais essa conquista para os trabalhadores e comunidade em que vive.

“Temos o primeiro manejo de açaí certificado FSC do mundo e a certificação de serviços ecossistêmicos vai ajudar muito a dar maior visibilidade. Nosso objetivo é ter a certeza de que a gente, da forma como estamos cuidando dos nossos manejos e florestas, está realmente contribuindo para a manutenção da biodiversidade”, falou Geová Alves.

Com o reconhecimento, entidade formada por cerca de 100 extrativistas dá garantias de que os produtos vendidos são ecologicamente corretos — Foto: Amazonbai/Divulgação Com o reconhecimento, entidade formada por cerca de 100 extrativistas dá garantias de que os produtos vendidos são ecologicamente corretos — Foto: Amazonbai/Divulgação
Com o reconhecimento, entidade formada por cerca de 100 extrativistas dá garantias de que os produtos vendidos são ecologicamente corretos — Foto: Amazonbai/Divulgação

Com o reconhecimento, a entidade formada por cerca de 100 extrativistas dá garantias de que os produtos vendidos têm garantias de origem ecologicamente correta, seja no uso do solo, seja no uso dos recursos hídricos. Com valor agregado, eles podem conquistar um público mais exigente e abrir novos mercados, o que contribui com o desenvolvimento social e econômico das comunidades.

Em nota, a diretora executiva do FSC Brasil, Aline Tristão Bernardes, destacou que, a partir de agora, a confiança dos governos, investidores, compradores e empresas aumenta em relação a Amazonbai.

“A comunidade agrega valor à sua imagem e aos seus produtos, tendo acesso mais fácil a investimentos e subsídios. O manejo dos açaizais assegura a manutenção da cobertura florestal e assim, por consequência, a conservação dos estoques de carbono e a preservação da diversidade de espécies”, pontuou.

Produção do açaí é a atividade que mais gera renda aos moradores do Bailique — Foto: Luis Fernando Iozzi/Divulgação Produção do açaí é a atividade que mais gera renda aos moradores do Bailique — Foto: Luis Fernando Iozzi/Divulgação
Produção do açaí é a atividade que mais gera renda aos moradores do Bailique — Foto: Luis Fernando Iozzi/Divulgação

Desde 2016, quando obteve a certificação do FSC para o manejo florestal, a produção de açaí do Bailique vem ganhando força no mercado nacional e internacional. Além de tirar os atravessadores das suas negociações e ter exportado pela primeira vez em 2017, a cooperativa conseguiu, no ano passado, montar um entreposto e a Casa do Açaí, o que permitiu a eles vender o fruto in natura e a polpa certificada.

A produção de açaí é feita em 28 comunidades do arquipélago. O primeiro teste de mercado aconteceu em abril de 2017 onde 20 toneladas do fruto foram exportadas e renderam cerca de R$ 204 mil. Para garantir a qualidade certificada do açaí, os produtores atuam nas áreas obrigatoriamente usando equipamentos de segurança, como luvas, óculos e capacete. A retirada também atende a critérios de higienização.

Geová Alves, presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique — Foto: John Pacheco/G1 Geová Alves, presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique — Foto: John Pacheco/G1
Geová Alves, presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique — Foto: John Pacheco/G1

A FSC Brasil informou que o processo de certificação foi apoiado pela Cooperação Brasil Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH.

Fonte: G1 AP por Rita Torrinha em 04/03/2019


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