Com quintais agroflorestais, comunidade recupera renda e alimentação saudável

A Comunidade dos Baixões, localizada no município da Barra, na Bahia, foi por muito tempo área de plantação de capim, que servia de pasto para o gado. Com tantas dificuldades, como a falta de água e de estrutura, a agropecuária não durou muito por lá e abandonou o local com um solo praticamente inutilizável.

quintalAlém do solo, o ambiente também é complicado para produção e para a vivência dos agricultores. O período de estiagem dessa região dura cerca de oito meses e temperatura média é de 28ºC, mas chega facilmente aos 40ºC.

Tiago Orunelo, morador da Comunidade dos Baixões e agricultor especializado em Agroflorestas, comenta que a realidade do solo era de pouca recuperação: “O que temos hoje aqui é uma realidade de muita terra improdutiva sendo transformada em deserto, quase desertificando. A gente teve que buscar alternativas de geração de renda e manutenção da renda das famílias. Porque 80% eram criadoras de gado, apesar de não ser tantas cabeças, mas cada família, cada agricultor familiar ainda tem de 30 a 60 cabeças de gado. Além de criar outras coisas também: galinhas, porcos etc. e plantar um pouco. A principal fonte de renda seria da pecuária.”

Através da associação de agricultores e dos próprios moradores da comunidade, o "Minha Casa, Minha Vida - Rural", pelo PNHR (Programa Nacional de Habitação Rural), garantiu casas de tijolo com segurança e saneamento básico às famílias mais carentes. Partes do projeto técnico social prevê atividades de geração de renda para essas pessoas, e foi daí que saiu a ideia para fazer os quintais agroflorestais.

Rafael Seibel, da consultoria ambiental “Positiva”, explica que as agroflorestas são construídas por meio da agricultura sintrópica, em que uma espécie de planta ajuda a outra, em um mesmo terreno: “Agrofloresta é um modelo, um conceito, muito simples de unir a produção de alimentos com floresta, o produto final de uma agrofloresta é a floresta de pé. E o modelo que ele passou a usar para cultivar essa agroflorestas, essas produções de alimentos também foi chamado de agricultura sintrópica. Existe a agricultura convencional hoje, infelizmente a maior parte da nossa agricultura é a base dos químicos, dos venenos, dos combatentes de pragas, insetos etc. Existe a agricultura orgânica convencional, que garante que não usa nenhum tipo de adubo químico, fertilizantes químicos etc. e agricultura sintrópica, justamente que imita os saberes e movimentos da floresta.”

Por meio das agroflorestas, a Comunidade começou a construir quintais agroflorestais nas casas de famílias residentes. Os quintais não só trouxeram uma alimentação mais saudável, como também geraram renda aos moradores, já que a produção restante passou a ser vendida em uma feira da cidade.

Nilda, presidente da associação dos agricultores da Comunidade do Baixão, comenta que a feira foi importante para trazer renda e diversidade. “A gente vende as coisas. Levantamos uma 'feirinha', ainda está meio fraca, mas estamos juntos. Nós vendemos e as pessoas que estão com a gente, da associação de agricultores, as mulheres, os homens. Eles plantam suas hortaliças, trazem para vender nessa mini-feira e acabam vendendo tudo. Nós vendemos produtos naturais né, não usamos veneno”, comenta.

A produção é variada, de frutas típicas da região, como o umbu e a chichá, a legumes mais comuns e hortaliças. Isso, claro, com alguns detalhes: “esses quintais agroflorestais têm algumas particularidades. Não podemos utilizar plantas de grande porte, porque ficam muito próximas da casa. Nos quintais, são inseridas culturas anuais, que precisam ser plantadas e replantadas todo ano, como feijão, milho, hortaliças e algumas árvores frutíferas também”, explica Tiago.

Um local semiárido pôde ser reformado e voltou a gerar vida. Os quintais agroflorestais podem ser feitos em qualquer lugar, com qualquer clima. Basta ter disposição.

Fonte:Brasil de Fato em 28 de Fevereiro de 2019 por Luiza Vilela e edição de Guilherme Henrique

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