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Parte política é a mais  difícil do projeto de transposição, diz Bezerra

Na última parte da entrevista concedida ao Último Segundo, ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, diz que não está tocando o projeto com pretensões políticas e defende um pacto entre os governadores da região 

Último Segundo - O senhor não espera um agravamento das resistências políticas ao projeto a partir de agora? 

Fernando Bezerra - Essa é a parte mais difícil deste projeto. Esse projeto é muito complexo, mas a mais complexa é a parte política. Política no sentido amplo, do envolvimento de toda a sociedade e de seus líderes. Você imagine só que o senador Antônio Carlos Magalhães afirma que não existe projeto nem dinheiro no Orçamento, que é uma obra faraônica. Ainda tem coisas desta natureza. É assim que esse processo de transposição se dá em todo o mundo. Há sempre um conflito entre o doador e o receptor. O receptor precisa de água e o doador acha que o rio vai secar ,que o rio é dele. Esse sentimento de propriedade sobre o rio é muito comum nas populações ribeirinhas. E há também os interesses políticos. É uma coisa absurda, mas tem. Não estou fazendo isso com algum interesse político menor. Encontrei esse projeto em andamento. Essa discussão se arrasta há 150 anos, portanto, não fui eu - lamentavelmente - o autor da idéia. Não fui nem que licitei nem contratei as empresas. Cheguei aqui, e achei que meu papel era ver se esse projeto serve ou não serve. Se serve, vamos executar. Se não serve, vamos colocar no lixo e encontrar outra alternativa. O que não podemos é passar mais 150 anos discutindo uma questão desta natureza. 

 US - Essa obra não pode render dividendos políticos para o senhor, que é do Rio Grande do Norte, um dos estados beneficiados? 

Bezerra - Entendo que pode haver esta interpretação. Não posso ignorar que esta será a grande obra física do governo Fernando Henrique Cardoso. Isso trará uma projeção política e histórica ao presidente. E certamente estarei no bojo deste processo, pelo menos na minha terra, o nordeste. E isso terá uma grande repercussão. Mas eu não estou fazendo por isso. Eu ignoro que isso exista. Mas a verdade é que eu não encontrei até agora nenhuma opção. Nenhuma alternativa é mais viável. Talvez a única viável seja fazer a transposição. 

 

US - Mas alguns políticos da Bahia em geral não concordam com o senhor. O senhor já conversou a respeito do projeto com o senador Antônio Carlos Magalhães? 

Bezerra - Paciência é o meu defeito. Acho que com o tempo, todos vão assimilar o projeto de transposição. Acho que a melhor forma de entendimento é mostrar todos os pontos. É esclarecer tudo. De outra maneira o projeto não sai. 

US - Que tipo de compensação o senhor está oferecendo aos governadores do nordeste para que eles aceitem? 

Bezerra - Estamos construindo um pacto com os governadores da região. Nós estamos estudando um programa de longo prazo para a região da seca, da ordem de R$ 10 bilhões. Em dez anos, é nada. O compromisso que os governadores das baías gestoras têm é de gestão hídrica. A água do rio será paga e redistribuída pelas companhias. O projeto da transposição não mata o rio, salva o rio. É inevitável que no futuro nós tenhamos interligação de bacias por transposições, porque há uma concentração excessiva da água brasileira.

19:45 22/09

Vladimir Netto, repórter iG em Brasília ([email protected]


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