O projeto é melhor do que eu pensava, diz Bezerra

Na primeira parte da entrevista sobre o relatório de impacto ambiental da transposição das águas do Rio São Francisco, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, afirma que a redução de 3% na vazão do rio São Francisco é insignificante

Último Segundo - O que o senhor achou do Relatório de Impacto Ambiental da transposição das águas do rio São Francisco?

Fernando Bezerra - Eu sabia da qualidade do projeto mas não conhecia o relatório. O projeto é melhor do que eu pensava, traz um volume de informações positivas, que eu não conhecia e que a sociedade não conhece. Esse projeto só será viável se for discutido amplamente na sociedade, se ela comprar o projeto como uma coisa boa para o país. Isso não pode ser olhado como uma coisa de nordestino. A coisa mais importante do projeto é considerar a questão ambiental como coisa crucial. O projeto colocou na agenda nacional a revitalização do Rio São Francisco. 

 US - E os impactos negativos apresentados pelo relatório como, por exemplo, a redução do nível do rio? 

 Bezerra - É insignificante. A redução de 3% é absolutamente aceitável, sem nenhum impacto. Esse projeto representa também a implantação de um gerenciamento de água no Brasil. Até hoje, você tira a água que quiser do São Francisco. É só ter dinheiro e uma grande moto-bomba. Se você tiver uma propriedade às margens do rio, tira mais do que o volume da transposição. Você tira a água que quiser. Ninguém lhe diz absolutamente nada. Não há controle de nada. A água a ser tirada é imperceptível, vai atender a 8 milhões de pessoas, 268 cidades serão beneficiadas com o projeto. Vai estancar a migração que existe para os grandes centros como São Paulo. Hoje, metade de São Paulo é nordestina, que foi pela seca ou por uma oportunidade de trabalho.

US - Quanta água vai ser retirada do São Francisco? 

Bezerra - O canal está dimensionado para dar vazão a cem metros cúbicos de água por segundo. Mas vai trabalhar em média com cinqüenta. Em alguns momentos vai bombear cinqüenta metros cúbicos por segundo. Em outros momento, nenhum. O projeto não é um bombear permanente. É o transporte de água para as barragens do nordeste. É um projeto de garantia do uso de água no nordeste setentrional. Hoje o uso da água é muito ineficiente. Você tem que guardar água, prever para o período de seca. Tem perdas por evaporação etc

Fortaleza e Recife também serão beneficiadas. Imagine fazer turismo sem água. Sujeito chega no hotel salgadinho, e não tem água.

US - A redução da vazão de água não vai fazer com que se perca energia nas hidroelétricas do rio São Francisco? As perdas são calculadas em 137 megawatts por hora, o que significa um prejuízo de R$ 75,6 milhões por ano. 

Bezerra - Isso representa menos de 3% da energia gerada. Em compensação, haverá uma larga vantagem por trás desta perda de energia.

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19:13 22/09

Vladimir Netto, repórter iG em Brasília (vladimir.netto@ig.com.br)

 
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