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Entrevista de Um Agricultor Orgânico da Paraiba*

Correio – Há quanto tempo o senhor trabalha com agricultura orgânica, deixando de usar veneno nas plantações?
João Teixeira Guimarães – Há mais de oito anos! Desde 1992 que eu deixei o veneno e passei a usar outras plantas que não dão praga, combatendo as pragas das outras, como manjericão, a arruda, a hortelã, que não dão praga, então eu uso passadas no liqüidificador com água para pulverizar outras plantas mais sujeitas (às pragas) como rúcula, brócolis, couve.

Correio – E o que senhor está achando dos resultados nas suas plantações?

João – Bem positivo. Primeiro, não tenho despesa com agrotóxico, com veneno. Isso já é grande coisa. E estou me dando muito bem. Às vezes meus vizinhos que plantam usando agrotóxico, mesmo usando veneno “da pesada”, tem problemas iguais aos meus. A única vantagem que eu acho é que eu não tenho despesa com agrotóxico enquanto ele (o vizinho) tem. Um pacote de agrotóxico tá custando 19 reais, esses 19 reais a menos, quer dizer que eu posso vender minhas verduras mais barato ou do mesmo preço, porque muita gente se “escora” no produto orgânico pra vender caro, o que é uma farsa, porque se a gente produz mais barato, pode vender mais barato.

Correio – E sobre a qualidade desse produto?

João – Não se discute. Inclusive a minha freguesia toda- tem senhora que teve câncer - deixa de comprar dos outros porque acusam inclusive que (adoeceram) pelo veneno, porque antes não tinha a quantidade de câncer que tá havendo hoje.

Correio – Antes de o senhor trabalhar com essa agricultura orgânica, mais ecológica, o senhor trabalhava com a agricultura tradicional. Como foi essa mudança de um tipo de agricultura para outro? Foi difícil?

João – Não. Eu desde criança fui nascido na zona rural, na serra da Meruoca, no Ceará e lá nós nunca usamos e nem conhecia veneno, não conhecia os canteiros com isso. Aí depois, quando eu comecei a plantar já em escala comercial, comecei a usar os agrotóxicos mas depois cheguei à conclusão que no tempo que eu era criança produzia sem veneno, sem coisa nenhuma, só com as coisas da natureza, por que não (voltar)? Pra que gastar dinheiro sem necessidade? Aí abandonei os venenos convencionais e passei pra agricultura orgânica.

Correio – E como é que o senhor faz pra evitar as pragas?

João – Uma planta bem forte, bem nutrida é como uma pessoa, como uma criança bem forte e bem nutrida, dificilmente adoece. Se usa muito uma planta no mesmo lugar ela tira da terra, que tem a alimentação dela, todos os substratos e aquelas plantas ficam todas fracas. Aí a praga ataca, porque ninguém ataca uma pessoa forte. É mais fácil dar um chute num gato que dar um chute num leão. As pragas, os insetos daninhos não atacam uma planta forte, eles vão procurar a planta fraca para atacar. Então no solo bem adubado, com matéria orgânica, a planta nasce sadia e não dá aquela praguinha que dá em planta fraca.

Correio – O que o senhor acha desse trabalho com agricultura mais orgânica? O que isso traz de bom para o agricultor, principalmente o pequeno agricultor do Nordeste?

João – Traz tudo de bom, porque só em ele não estar se envenenando, porque o camarada que usa veneno automaticamente ele está se intoxicando, além de intoxicar os outros, que consomem a alimentação, ao passo que quando um elemento come uma verdura sadia, sem agrotóxico, ele tá se alimento realmente, sem se intoxicar. O tomate, por exemplo, é anticancerígeno, mas usado com veneno é cancerígeno, quer dizer, ao mesmo tempo que combate uma doença, está transmitindo a própria doença.

* Entrevista concedida à jornalista Klycia fontenele, da equipe do Rádio Cidadão (Sítio Oiti, em Lagoa Seca, Paraíba) e divulgado no Correio do P1MC/ASA Nº286


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