“Contribuir para uma economia de baixo carbono é um ato natural”


O investimento em tecnologias de baixo carbono e a produção de energia para autoconsumo baseada em 70% nas energias renováveis, fazem parte do esforço da The Navigator Company para uma operação sustentável.

Diogo da Silveira, presidente da comissão executiva da The Navigator Company, sublinha o esforço da empresa em tornar a atividade mais “limpa”. Da gestão da floresta à investigação, passando pela produção de energia para autoconsumo a partir de fontes renováveis.

Quais os desafios que a necessidade de descarbonização coloca a uma empresa como a The Navigator Company?

A indústria de pasta e papel europeia representa apenas 1,4% das emissões europeias a nível de carbono regulamentadas no Emission Trading System. A nova diretiva europeia estabelece um objetivo de redução de emissões de gases com efeitos de estufa de 43% em 2030 (com base nos valores de 1990). É um objetivo desafiante que a The Navigator Company está a assumir de forma profissional envolvendo todos os parceiros relevantes.

Quais as medidas tomadas nos últimos anos para fazer face a esta necessidade de descarbonização?

Contribuir para uma economia de baixo carbono é um ato natural na nossa atividade. Até porque utilizamos matérias-primas de origem renovável e a eficiência energética faz parte do nosso ADN. Todos os anos sequestramos CO2 da atmosfera, através das florestas que plantamos e gerimos de forma sustentável. As florestas representam um dos contributos mais significativos para a descarbonização. Os milhões de árvores que plantamos de forma sustentável em Portugal mantêm retido um volume de carbono equivalente às emissões de CO2 geradas por 1,5 milhões de carros a dar uma volta ao planeta Terra. Por outro lado, a Navigator apostou cedo na produção de energia primária com base em fontes de origem renovável que hoje representam 70% da energia primária utilizada pela empresa. Além disso, o nosso impacto positivo vai mais longe ao evitarmos a emissão de CO2 pelas nossas unidades industriais, fruto do investimento em tecnologias de baixo carbono. Em 2016 alcançámos 9% de redução do consumo específico de energia primária face ao ano de 2009. A nossa meta para 2025 face ao ano 2015 é de 15% de redução do consumo específico de energia.

Que projectos de I&D, ligados à sustentabilidade ambiental e redução de emissões, estão a ser desenvolvidos?

A Navigator desenvolve, através do RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, vários projetos de I&D, criando novas oportunidades de negócio, seguindo os princípios de uma economia circular e “descarbonizada”. O projeto InPaCTus, realizado em parceria com as universidades de Aveiro e de Coimbra, representa um investimento de 15 milhões de euros e visa o desenvolvimento de novos biocombustíveis e bioprodutos.

Dos vários projetos ligados à economia verde há algum que mereça particular destaque?

Investimos fortemente numa infraestrutura tecnológica para produção de energia e somos o maior produtor de energia a partir de biomassa em Portugal. É um contributo muito relevante que merece particular destaque. Em 2016 instalámos uma central solar fotovoltaica no Complexo Industrial de Setúbal, um investimento que ascendeu a 2,1 milhões de euros. Este projeto envolveu a colocação de 8 800 painéis fotovoltaicos na cobertura dos edifícios da fábrica de papel, permitindo evitar emissões na ordem das 1.140 t CO2/ano e produzir em média 3,1 GWh/ano.

Como antecipa, em termos ambientais, o futuro do setor da pasta e do papel?

Sabemos que o futuro do setor depende da capacidade para desenvolver o negócio de acordo com um modelo de desenvolvimento sustentável que respeite o ambiente e permita gerar valor. O setor de pasta e papel tem uma vantagem competitiva muito importante ao utilizar matérias-primas de fontes renováveis e ao produzir produtos biodegradáveis e recicláveis. Na Navigator utilizamos de forma responsável os recursos naturais, garantindo o equilíbrio dos ecossistemas, ao mesmo tempo que promovemos a qualidade de vida das comunidades e a riqueza dos países onde desenvolvemos a nossa atividade.


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