Dê um destino sustentável ao lixo orgânico


Dispositivo que se encaixa nas pias evita a liberação de gás metano, um dos causadores do efeito estufa


Se você acha que colocar as sobras de comida em um saquinho, amarrá-lo e jogá-lo na lixeira do condomínio ou da rua é suficiente, você está equivocado. Há formas de dar um destino sustentável ao lixo orgânico e não é só por meio da coleta seletiva ou compostagem. Os trituradores, geralmente colocados embaixo da pia da cozinha, também entram como uma solução. Ao triturar as sobras (sejam cascas de ovo, caroços de feijão, arroz ou até pequenos pedaços de osso), evita-se que o apodrecimento gere o chorume e libere gás metano, um dos vilões para o aumento do efeito estufa.

E nem é preciso muita logística para ter um triturador orgânico na cozinha. Basta deixar as panelas de lado para colocar um bujãozinho (é nele que os pedaços de comida são triturados), ter um sistema padrão de encanamento e uma fonte de energia elétrica por perto (ver arte). 

A empresária Juliana Perez Machado é uma das adeptas ao triturador. Foi numa viagem aos Estados Unidos, há 20 anos, que ela foi apresentada ao aparelho. Desde então, conta Juliana, acabaram-se as dores de cabeça para desentupir a pia da cozinha. “Eu fazia como todo mundo. Usava aquelas telas de proteção no ralo, mas sempre caía algum resíduo. Esse acúmulo sempre entupia e lá ia eu chamar um encanador”, relembra.

O ganho de Juliana não foi apenas econômico, já que agora ela nem precisa mais custear os serviços de um encanador. Mas, também higiênico. A arquiteta Mônica Paes também aderiu ao equipamento.

No caso dela, o triturador serviu como um “plus” para os seus cuidados com o meio ambiente. “A gente não deve apenas se preocupar com o lixo orgânico. Mas, destinar corretamente o que usamos e jogamos fora. O óleo de cozinha, pilhas, baterias, plástico, enfim, tudo o que for aproveitável para reciclagem”, aconselha. 

Ponderações

O professor de Ciências Biológicas da UPE Clemente Coelho reconhece as vantagens de um triturador orgânico. Mas, faz ressalvas. Para ele, o problema do lixo orgânico vai além das paredes (e das contas) da casa.

Na sua avaliação, a compostagem ainda é a melhor solução, uma vez que o Recife não dá um tratamento eficaz aos efluentes, lançando-os praticamente in natura aos mananciais. “Os trituradores fragmentam esses alimentos, agilizando o processo de decomposição. Mas, não diminui a carga orgânica. 

As nossas redes de esgotos são muito frágeis, muitas vezes quebradas aqui, interrompidas ali. Nisso, os resíduos acabam parando no rio, aumentando a poluição hídrica”, observa o biólogo.

Fonte: Folha de Pernambuco em 08/06/17 por Priscilla Costa.


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