ASA SE POSICIONA A FAVOR DA AGROECOLOGIA E CONTRA TRANSGÊNICOS

Entidade integra aspectos agronômicos, ecológicos e sócio-econômicos

Na Semana do Produtor Rural, a Articulação do Semi-Árido Brasileiro (ASA) se declara a favor da Agroecologia. Uma nova abordagem da agricultura, que integra diversos aspectos agronômicos, ecológicos e sócio-econômicos, na avaliação dos efeitos das técnicas agrícolas sobre a produção de alimentos e na sociedade como um todo. Essa agricultura alternativa representa um conjunto de técnicas e conceitos que surgiu nos anos 90 e visa a produção de alimentos mais saudáveis e naturais.

A Agroecologia engloba modernas ramificações e especializações, como a agricultura biodinâmica, agricultura ecológica, agricultura natural, agricultura orgânica e os sistemas agro-florestais. É a base científico-tecnológica para uma agricultura sustentável.

De acordo com o coordenador de políticas públicas da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA/Nacional), uma das ONGs que integram a ASA, Jean Marc, os produtos agroecológicos garantem boa produtividade a baixo custo. "A produção de produtos agroecológicos sai mais barata por não usar adubos químicos. A própria diversidade do cultivo garante o controle natural de pragas", explica.

Marc diz ainda que essa alternativa para os produtores não se propagou ainda por dois motivos. Primeiro, por falta de informação. Depois, porque não existem soluções implícitas para pacotes agroecológicos (tipo manual de instrução).

"Fica difícil, num país do tamanho do Brasil, dispor de um técnico e manual de instrução para cada lugar. Pois o manejo do produto depende do tipo do solo, da vegetação nativa e de vários outros fatores. O papel da AS-PTA é justamente a informação técnica, identificar e valorizar experiências bem sucedidas de produtores, além de facilitar o processo de sociabilização dessas experiências, para que os agricultores não precisem apelar para os transgênicos e causar maiores prejuízos, a exemplo do famoso caso ocorrido no Rio Grande do Sul, onde vários produtores tiveram de pagar taxa e multa a determinada empresa por não saber que seus produtos estavam contaminados pelos transgênicos".

No Rio Grande do Sul, 80% da produção de soja é transgênica. "Os produtores optaram por esse caminho porque o transgênico é resistente ao herbicida, mas com o tempo a eficácia do glifosato termina", completa Marc. O uso constante do produto seleciona as plantas com menor sensibilidade ou com algum tipo de proteção contra o herbicida. A redução do preço do herbicida associado a sua menor eficácia leva o agricultor a usar quantidades cada vez maiores de agrotóxicos em sua lavoura transgênica.

"Na Europa é permitida por lei a plantação dos transgênicos, mas as pessoas respeitam as regras. Lá, a distância entre fazendas, a posição do vento, tudo é estudado antes de começar o plantio. Aqui no Brasil só está permitida a produção de soja, mas ainda não existe o direito de evitar a contaminação para quem não se interessa por esse tipo de plantio", lamenta Marc.

Transgênicos

A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) se coloca contra aos transgênicos e qualquer outra ação que cause ou chegue a causar qualquer tipo de dano ao meio ambiente. "Estamos realizando vários debates sobre o assunto para informar a comunidade sobre um problema de ordem mundial que são os transgênicos, além de pressionarmos o governo a tomar medidas emergenciais. Foi o que fizemos no último Enconasa", diz Paula Almeida, da equipe técnica da Associação e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), da ASA - PB.

Para Paula, a dependência econômica do agricultor com as multinacionais donas da nova tecnologia, a falta de maleabilidade das sementes transgênicas, que não são capazes de enfrentar mudanças bruscas de clima, a incerteza se a semente afetará ou não à saúde (ainda está sendo estudada), e a possível poluição genética (fruto do cruzamento entre genes contaminados, o que torna incapaz a recuperação da semente selvagem, caso haja necessidade) são os principais fatores que levaram a ASA a tomar essa posição. "Está sendo ferido o Princípio de Precaução, pois a tecnologia ainda é muita nova e não se sabe das conseqüências. Ainda estão sendo realizados os estudos. Não podemos pensar só nos lucros", diz Paula.

Nos resultados de pesquisas já desenvolvidas, os riscos dos alimentos "engenheirados" devem ser avaliados caso a caso, pois não há impactos genéricos a eles associados. Os organismos específicos que eles expressam podem provocar danos à saúde e ao meio ambiente em função da combinação de genes. Entre os problemas apontados como resultantes de impactos negativos dos alimentos transgênicos sobre a saúde estão: intoxicações, alergias, desenvolvimento de resistência a antibióticos.

Em relação ao meio ambiente, os impactos negativos são: aumento das ervas daninhas, aparecimento de superervas daninhas, mudanças no consumo de herbicidas para padrões mais tóxicos, aparecimento de novas viroses e de vírus mais resistentes, envenenamento da vida selvagem, perda da biodiversidade, possível aparecimento de efeitos imprevistos e desconhecidos.

fonte: Pauta Social, em 01/08/05

 
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