Urgente reduzir emissões de CO2 e limitar aquecimento global a 1,5° C


Grupo Intergovernamental de Especialista sobre a Evolução do Clima da ONU - GIEC - alerta para a urgência em limitar o aquecimento do planeta a 1,5°Celsius e reduzir a emissão de gases com efeito de estrufa.

Num relatório de 400 páginas baseado em 6.000 estudos, publicado esta segunda-feira (8/10), os peritos do GIEC ou IPCC na sigla inglesa - alertam para a necessidade de ir além do Acordo de Paris que em 2015 previa um aumento máximo de temperaturas de 2° centígrados em relação aos níveis pré-industriais.

Para limitar o aquecimento global do planeta a 1,5° Celsius são necessárias transformações "rápidas, profundas e sem precedentes" no sentido de reduzir as emissões de gases poluentes, de outra forma esta cota de alerta será atingida entre 2030 e 2052.

Tal provocará riscos por vezes ierreversíveis para a natureza e a humanidade, como períodos caniculares, extinção de espécies, desestabilisação das calotas polares ou ainda a subida do nível dos oceanos.

A única maneira de evitar este cenário catastrófico, segundo os especialistas da ONU, é obter até 2030 uma baixa de 45% nas emissões de dióxido de carbono em relação a 2010 e a "neutralidade de carbono" em 2050, ou seja o planeta terá então que emitir menos carbono na atmosfera, do que o que possa ser extraído.

Carvão, gás e petróleo são responsáveis por três quartos das emissões de gases com efeito de estufa e as energias renováveis que hoje representam 25% da produção de electricidade deverão triplicar até 2050.

É necessária vontade política e institucional urgente para resgatar o planeta, pois segundo os peritos na prática tal é ainda possível, pois as leis da química e da física permitem-no, tal como as tecnologias, os investimentos e a mudança de hábitos de vida.

Este relatório encomendado durante a COP21, visa contribuir para o processo de revisão dos compromissos assumidos em 2015, o que vai ocorrer na cimeira sobre o clima COP 24 em Dezembro na Polónia.

Em 2018 as emissões de gases nocivos para o meio-ambiente alcançaram níveis recorde e mesmo se os países signatários do Acordo de Paris cumprirem o compromisso da COP21, no fim deste século a temperatura média terrestre aumentará de 3°C e desde meados do século XIX já aumentou de 1°C.

A Aliança dos Pequenos Estados Insulares, da qual fazem parte entre outros Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, exortou as "nações civilisadas a assumirem as suas responsabilidades".

Apollos Nwafor, director pan-africano da OXFAM Internacional afirma que "milhões de pessoas já sofrem os impactos...pelo que contentar-se com o limite de 2°C seria uma sentença de morte em muitas partes de África".

Fonte:RFI em 08-10-2018 por Isabel Pinto Machado

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