78% do ar que respiramos é nitrogénio

Agricultura e pecuária as principais fontes de emissões

“Os cientistas calculam que o uso excessivo de fertilizantes à base de nitrogénio na agricultura gere prejuízos de cerca de 14 mil milhões de euros na economia da União Europeia UE-27, ou seja, quase 25% do total do orçamento da PAC (Política Agrícola Comum)”, diz Cláudia Marques-dos-Santos Cordovil, Professora do Instituto Superior de Agronomia (ISA) e responsável pelo projecto europeu H2020 “NitroPortugal”.

Em Portugal, o sector primário contribui com 87% do total de emissões de nitrogénio para os cursos de água (rios, lagos, etc), sendo os efluentes de origem animal a principal fonte de poluição, de acordo com dados revelados pela Agência Portuguesa do Ambiente.

De realçar que se estima que menos de 50% do nitrogénio usado na agricultura na União Europeia (UE) é aproveitado pelas plantas, o restante perde-se e é uma fonte de contaminação dos solos, da água e do ar.

Por isso, consideram os investigadores ser importante explicar aos agricultores europeus as vantagens económicas do uso mais eficiente do nitrogénio, para uma economia mais eficiente e um ambiente mais limpo.

Workshop científico no ISA

Para debater todos estes problemas, de 14 a 17 de Novembro, vai decorrer em Portugal o 6º Workshop científico do projecto europeu H2020 “NitroPortugal”, no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

Durante estes dias, um grupo de cientistas vai estar reunido para debater este tema e procurar trazer soluções que permitam diminuir a poluição causada pelo nitrogénio, através da redução das perdas para o ambiente.

Segundo Cláudia Marques-dos-Santos Cordovil, “neste encontro, vai apresentar-se o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos três anos, em que estudámos qual o impacto real do nitrogénio em Portugal, e como podemos poupar milhares de euros através de melhores práticas da sua gestão, que irão contribuir para um melhor desempenho da economia portuguesa”.

Emissão de nitrogénio reactivo no ambiente
Uma das actividades apontadas como principal responsável pela emissão de nitrogénio reactivo no ambiente é a agricultura. Isto acontece porque mais de metade do nitrogénio aplicado aos solos para produzir alimentos é perdido, porque as plantas não conseguem absorve-lo.

Isto porque a eficiência de utilização dos adubos minerais é menor do que 50%. Investigadores e governos estão focados na melhoria da eficiência do uso do nitrogénio na agricultura e na pecuária, que são as principais fontes de emissões de nitrogénio reactivo para o ambiente.

Projecto NitroPortugal

O Projecto “NitroPortugal – Strengthening Portuguese research and innovation capacities in the field of excess reactive nitrogen” é um projecto europeu H2020, coordenado pelo Instituto Superior de Agronomia, em parceria com a Faculdade de Ciências, ambas as escolas da Universidade de Lisboa, o Natural Environmental Research Council, Centre for Ecology and Hydrology de Edimburgo, Reino Unido e a Aarhus University – Dept. Agroecology, da Dinamarca.

Este projecto, da responsabilidade da Prof. Cláudia Marques-dos-Santos Cordovil, visa realizar o diagnóstico dos níveis de poluição azotada na água e no ar e calcular o seu impacto na emissão de gases com efeito de estufa, nos solos e ecossistemas e biodiversidade em Portugal.

Fonte:Agricultura e Mar Actual em 12-11-2018

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