Trator ecológico movido a biometano promete reduzir emissão de poluentes

Brasil é o 1º país da América Latina a receber protótipo, que diminui em até 80% gás do efeito estufa, diz fabricante. Carro com tecnologia parecida, mas voltado ao campo, também é novidade.
Por Igor Savenhago, G1 Ribeirão e Franca

01/05/2018 17h52 Atualizado há 5 meses

Entre os avanços tecnológicos apresentados na edição deste ano da Agrishow, que começa na próxima segunda-feira (30), duas prometem ajudar a colocar o Brasil na vanguarda da utilização de veículos não poluentes no campo, zerando a dependência de combustíveis fósseis e gerando economia aos produtores rurais.

A New Holland Agriculture expõe um trator conceito movido a biometano, gás obtido a partir do processamento de dejetos de animais e restos do cultivo de produtos agrícolas. O Brasil é o primeiro país da América Latina a conhecer o modelo, que deve chegar ao mercado em três anos e que, segundo a empresa, reduz em até 80% as emissões de CO2, gás do efeito estufa, e pode representar uma economia de até 30% em relação aos gastos com diesel.

Já o Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CiBiogás), associação de instituições públicas e privadas fundada dentro do parque tecnológico da hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, divulga um carro com tecnologia parecida, também movido a biometano e inédito no Brasil.

O primeiro protótipo, lançado em março na Coopavel, feira realizada em Cascavel (PR), não está exposto na feira, mas profissionais da associação participam do evento para promover o veículo.

Público aproveita para fazer selfie com trator modelo ao fundo na Agrishow 2018 — Foto: Érico Andrade/G1

O diretor de Desenvolvimento Tecnológico do Centro, Rafael Gonzalez, explica que existem dois ambientes para o uso do biometano no Brasil. Um para veículos leves, como carros de passeio, e outro para pesados, como ônibus, caminhões e tratores.

“Para os leves, o país está bastante avançado. A tecnologia já é comum, a mesma do Gás Natural Veicular (GNV). O que a gente não tem ainda muito dominado são veículos pesados com essa tecnologia trabalhando no campo, facilitando a vida do agricultor.”

A vantagem, segundo os dois expositores, é que os veículos permitirão total independência do diesel, combustível que abastece atualmente a frota rural. O biometano poderá ser produzido nos próprios sítios e fazendas, por meio de biodigestores, equipamentos que se adaptam facilmente às propriedades e transformam dejetos em biogás, que é refinado para virar biometano.

Pioneiros
O trator apresentado pela New Holland, conhecido como T6, é uma evolução de protótipos anteriores, os primeiros do planeta movidos a biometano, que, em 2013, começaram a ser testados em lavouras do Oeste do Paraná. Já o modelo a ser exposto na Agrishow chegou ao Brasil no ano passado.

De acordo com Rafael Miotto, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina, a presença desse trator no país é significativa, dada a importância do agronegócio nacional, que sustenta a economia em períodos de recessão, e porque reforça o compromisso com a produção sustentável.

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Pensamento semelhante tem Gonzalez, da CiBiogás. Segundo ele, com a nova tecnologia, o Brasil se alinha às diretrizes do Acordo de Paris, que prevê a redução de gases poluentes no mundo, e com o RenovaBio, programa de incentivo aos biocombustíveis assinado pelo governo federal em março.

Ele afirma que o carro desenvolvido pela associação, o CH4PA – em alusão à fórmula do metano (CH4) –, que vem sendo chamado de “chapa”, além de proporcionar economia de combustível e reduzir a emissão de poluentes, é leve em comparação com outros veículos tradicionalmente usados no campo e pode acessar lugares em que tratores convencionais não entram.

Resultado de uma parceria com uma empresa austríaca, o modelo recebeu o apoio de Itaipu porque, de acordo com Gonzalez, é de interesse do parque nacional fomentar avanços no mercado de biogás. Mais de 80 veículos da hidrelétrica já são abastecidos com biometano.

O chapa deve ganhar um segundo protótipo até o ano que vem e a expectativa é que, a partir de 2020, tenha sua produção expandida. “Conforme a disponibilidade de biometano for aumentando no país, a gente avança com a tecnologia”, afirma Gonzalez.

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