Biodigestores auxiliam o produtor no manejo correto dos resíduos

Dejetos animais e resíduos agrícolas podem ser colocados no equipamento. O resultado é a geração de biogás e biofertilizantes, considerados ecológicos.

Há quase dois anos, o agricultor Wanderley Alves Pereira (38), morador da localidade de Casa Forte, na Serra do Jordão, em Sobral, resolveu aderir a um projeto que, segundo ele, tem trazido muitos benefícios por se tratar de economia e preservação do meio ambiente. O agricultor familiar cria caprinos para corte e, antes, toda a produção de esterco, que ajudava a potencializar a horta, consumia muita água; o que era encarado como problema, em uma região de semiárido.

De acordo com o agricultor, "o equipamento também tira a necessidade de derrubar árvores para produzir lenha. Eu aproveito o gás metano, o estrumo para as plantas, e o sumo, que também é resultado do equipamento, serve como defensivo natural para afastar os insetos. A economia tem sido grande para minha família", explica.

O biodigestor, um compartimento fechado no qual ocorre a decomposição de matéria orgânica, libera biogás e biofertilizante. Os materiais orgânicos utilizados nesse tipo de equipamento podem ser os resíduos de produção vegetal, como folhas e palhas; de atividades humanas (fezes, urina, lixo doméstico), e, no caso do Wanderley, de produção animal (como esterco e urina).

Apesar de existirem diversos tipos de biodigestores com características próprias de operação e material utilizado, basicamente, o equipamento é formado por um recipiente que permite a digestão da matéria. A parte interna é protegida do contato com o ar para que a biomassa seja metabolizada por bactérias anaeróbias.

"O trabalho é simples e rápido, e o aproveitamento do material é completo", reforça o agricultor familiar, que teve o biodigestor instalado com apoio da Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate à Fome de Sobral (Setra), em parceria com o Governo do Estado e financiado com ajuda do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

Atuação

Na região Norte, 16 municípios e 32 comunidades da zona rural são beneficiados pelo projeto. "Essas famílias foram selecionadas a partir do Índice de Desenvolvimento Humano de suas regiões. Trabalhamos com acompanhamento técnico, orientações nas partes produtiva e social, além do desenvolvimento de capacidades agrícolas", diz Eduardo Sousa, técnico da Setra.

Para Pedro Pitombeira, gerente da Agricultura Familiar da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Sobral, "esses projetos, com uso das tecnologias sociais, como a instalação de biodigestores e cisternas de placas, fortalecem mais ainda as comunidades rurais".

Fonte:Diário do Nordeste, novembro de 2018

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