Do Padrão Moderno à Agricultura Alternativa: Possibilidades de Transição

Resumo de Dissertação

Dissertação Defendida por: Gervásio Paulus

Local: Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina

Do Padrão Moderno à Agricultura Alternativa: Possibilidades de Transição

RESUMO

Autor: Muitos aspectos estão envolvidos na transição de um modelo de agricultura para outro, como mostra a implantação do padrão moderno de agricultura no Brasil. Das concepções sobre a modernização tecnológica na agricultura, tanto a corrente de interpretação neoclássica quanto a vertente marxista partem do pressuposto de que a industrialização da agricultura é o único caminho para promovê-la. No caso brasileiro, o estado teve papel destacado na implantação desse modelo, sobretudo através do instrumento de crédito rural, aplicado de forma subsidiada e dirigida, além do caráter discriminatório em sua concessão. A maior parte das análises converge em reconhecer que o momento atual é de crise do "padrão moderno" de agricultura. A crise manifesta-se através das conseqüências (sociais, ambientais e econômicas) que decorrem da maneira como se deu a implantação deste modelo, ainda que o "pacote tecnológico" difundido tenha incidido sobre problemas reais enfrentados pelos agricultores. Discute-se a construção do significado de agricultura sustentável, enfatizando que uma crítica radical do padrão moderno de agricultura, o qual agudizou a atual crise sócio-ambiental, pressupõe um questionamento das concepções de ciência e agronomia que nortearam a formação desse padrão. Entretanto, propostas de estilos alternativos de agricultura não são novas, como revelam as correntes alternativas de agricultura, com distintas denominações. Dentre aquelas em curso em nível internacional, merece atenção a experiência cubana de transição, pelas proporções que a mesma assume. No Brasil, destaca-se as experiências desencadeadas a partir do surgimento da Coolméia - Cooperativa Ecológica de Porto Alegre, particularmente as associações de agricultores ecologistas de Ipê e Antônio Prado, no Rio Grande do Sul. O problema da segurança alimentar é abordado para discutir o argumento recorrente de que estilos alternativos de agricultura não responderiam à necessidade de produção de alimentos em quantidade suficiente para acompanhar o crescimento da população. Sustenta-se, por fim, com base nas experiências analisadas e nos elementos fornecidos pelo estudo de campo, que não existe uma via única para a transição do padrão moderno, mas antes um mosaico de possibilidades. O que irá determinar a emergência de um novo padrão de produção a partir das experiências em curso, que convencionamos chamar de agricultura alternativa,é a forma como estas se organizam, e não somente os apelos mercadológicos a ela associados.

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