Responsabilidade social no setor rural
24 de Novembro de 2005

Por Rosamaria Cox de Moura Leite (*)

A busca por uma sociedade sustentável, tem sido uma preocupação cada vez mais freqüente, o que ocasionou o aumento no consumo de produtos identificados como socialmente responsáveis, conhecidos comercialmente como produtos justos. O sucesso do mercado orgânico abriu caminho para o mercado dos produtos justos, pois a preocupação com processo produtivo do alimento é ampliada para seus impactos sociais locais. No entanto vale a pena ressaltar, que um produto justo não necessariamente é orgânico e vice versa.

Apesar do aumento na demanda por produtos justos, alguns produtos primários, considerados commoditys, e cuja identificação de origem não é uma pratica comum, sofrem ainda pouca ou nenhuma pressão de mercado para a pratica de programas de responsabilidade social.

As propriedades rurais assim como as empresas urbanas são partes da sociedade em que estão inseridas, por isso tem como responsabilidade observar o impacto que produz sobre o bem-estar humano e social e da manutenção do meio ambiente, do qual a vida depende. A sustentabilidade da atividade empresarial depende do plano econômico e também dos aspectos sociais e ambientais de forma integrada, isso é além de gerar recursos financeiros a empresa deve ser provedora de benefícios ao seu meio.

O contexto da Responsabilidade Social é muito mais metódico e sistemático, do que a simples realização de ações de filantropia, pois é um tema transversal a toda a atuação da empresa. Para que uma empresa seja socialmente responsável ela precisa começar este percurso pela realização de um diagnóstico, listar e analisar todos os potenciais impactos negativos da atividade que exerce, ouvir as partes interessadas e fazer um plano que estará, naturalmente, sempre em evolução. Ela se torna socialmente responsável à medida que concretiza esse plano.

Porém ao analisar de outro ângulo, a lucratividade da empresa deve ser a única e primordial preocupação da empresa, pois através das riquezas geradas por ela, em uma economia de mercado livre e aberta, o setor publico teria condições de organizar a sociedade, aplicando os recursos arrecadados, que não são poucos, no bem estar social, regulando as ações empresariais para o não prejuízo da sociedade e sim benefício.

No entanto, por meio da observação das informações que se tem acesso na mídia, pode-se afirmar que o setor público não consegue absorver toda esta responsabilidade sozinho, principalmente em países marcados por problemas socioeconômicos, como é o caso do Brasil.

Além disso, em nome do liberalismo econômico, na busca pela própria sustentabilidade, as organizações ignoram as externalidades negativas de seus negócios, e como resultado do “mau desenvolvimento”, causam poluição, degradação ambiental, comprometimento da qualidade de vida dos trabalhadores, desigualdade social, desemprego, entre outros.

Diante deste cenário, as empresas devem encontrar dentro da lógica da produção capitalista meios para minimizar os impactos sociais negativos do seu negocio, pois sentiram os reflexos de suas ações a médio e longo prazo. Uma sociedade, cuja qualidade de vida é melhor, tem conseqüentemente uma força de trabalho mais capacitada e um poder de consumo maior, e um meio ambiente conservado além de contribuir para a qualidade de vida de seus habitantes, garante conservação dos recursos naturais necessários para a produção futura e a melhora da sua imagem do produtor rural perante a sociedade.

(*) Rosamaria Cox de Moura Leite – administradora, produtora rural e especialista em agronegocios pela UFMS.

 
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