Variedades melhoradas de mandioca e fruteiras

Por Antonio Alberto Rocha Oliveira e Jorge Luiz Loyola Dantas , pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura

Variedades de mandioca resistentes à podridão radicular

Aramaris: Demonstrou alta resistência à podridão de raízes, principal problema diagnosticado na região dos Tabuleiros Costeiros do Nordeste. A sua produtividade média de raízes é de 29,6 t/hectare contra 21,6 t/hectare da variedade local e teor de amido em torno de 34%.

Kiriris: Essa variedade também demonstrou alta resistência à podridão de raízes, principal problema diagnosticado na região. A sua produtividade média de raízes é de 33,8 t/hectare contra 21,6 t/hectare da variedade local e teor de amido em torno de 30%. Nas provas participativas com pequenos agricultores dessa região, a probabilidade de aceitação dessas variedades esteve acima de 80%.

Outras variedades de mandioca

Aipim Brasil: Essa variedade, cultivada sem o uso de adubos em condições de sequeiro, apresenta rendimento de raízes de 10,8 t/ha aos 8 meses de idade, 14,0 t/ha aos dez meses, 15 t/ha aos 12 meses e 12,1 t/ha aos 14 meses de idade. Com relação às características qualitativas, o Aipim Brasil apresentou 20 ppm de HCN nas raízes cruas e tempo de cozimento das raízes variando de 10 a 12 minutos com idades entre 8 e 10 meses, respectivamente. A massa cozida apresenta cor branca, sem fibras, textura fina e consistência plástica.

Mandioca ‘Guaíra’ - Resultante de coleta no município de Arapiraca, Alagoas e avaliada nas condições de Araripina, região semi-árida do Estado de Pernambuco, a variedade Guaíra mostrou boa adaptação com alta taxa de germinação, bom estabelecimento no campo e boa retenção foliar, características altamente desejáveis em condições semi-áridas. Além disso, a 'Guaíra' apresenta: produção de material de plantio de qualidade, alto teor e qualidade de amido nas raízes, raízes grossas e sem cintas, polpa branca, película branca, fina e fácil descascamento. Nas condições de Araripina, os seus teores médios de matéria seca de raízes variaram entre 36,8% e 38,8%, enquanto a produção oscilou de 15,7 t/ha a 24,7 t/ha aos 18 meses de idade, valores estes bastante superiores à produtividade média do Estado de Pernambuco, que é de 9,3 t/ha.

Variedades de banana resistentes a doenças

Caipira: Variedade própria para consumo ao natural, apresentando frutos de sabor doce (suave) e com baixa acidez. É uma variedade triplóide AAA, introduzida no Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de banana da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas, BA, a partir da Martinica. Apresenta porte médio/alto, potencial produtivo de 25 t/ha em boas condições de sequeiro e 40 t/ha sob condições irrigadas. Esta variedade adapta-se bem às várias condições ecológicas das diversas regiões produtoras de banana do Brasil, mas sem suportar a ocorrência de baixas temperaturas. É resistente à Sigatoka-amarela, Sigatoka-negra, mal-do-Panamá e broca-do- rizoma.

Thap Maeo: Própria para consumo ao natural, apresentando frutos de 12 cm, com sabor levemente ácido. É uma variedade triplóide AAB, introduzida no Banco Ativo de Germoplasma de banana da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas (BA), a partir de uma coleta realizada na Tailândia. Apresenta porte médio/alto, potencial produtivo de 23 t/ha em boas condições de cultivo de sequeiro e 40 t/ha sob condições de irrigação. Adapta-se bem às várias condições ecológicas das diversas regiões produtoras de banana do Brasil, sem contudo, suportar baixas temperaturas. É resistente à Sigatoka–amarela, Sigatoka-negra e mal-do-Panamá; apresenta média suscetibilidade aos nematóides e broca-do-rizoma.

Pacovan Ken: Híbrido tetraplóide (AAAB) criado na Embrapa Mandioca e Fruticultura em Cruz das Almas, Bahia, resultante do cruzamento da cultivar Pacovan com o híbrido diplóide (AA) M53. O nome Ken é uma homenagem ao seu criador, Dr. Kenneth Shepherd, consultor do Programa de Melhoramento Genético da Bananeira por treze anos (1981-1994), em Cruz das Almas - BA. Os frutos dessa variedade são mais doces e apresentam resistência ao despencamento semelhante aos da Pacovan. A 'Pacovan Ken', tem como característica mais importante a resistência à Sigatoka-negra, a principal doença da bananeira. Além disto, é resistente à Sigatoka- amarela e ao mal-do-Panamá. A 'Pacovan Ken' foi avaliada em diferentes ecossistemas, destacando-se pelas suas características agronômicas entre elas a qualidade dos frutos e a elevada produtividade, quando comparada com a 'Pacovan'. Como alternativa para o produtor, além da resistência às Sigatokas amarela e negra e ao mal-do- Panamá, ela deverá atingir produtividade até 50% superior à da cultivar Pacovan. Quando cultivada sob irrigação e condições nutricionais adequadas, a produtividade deverá atingir de 45 a 50 t/ha. Além disso, a nova variedade apresenta rusticidade semelhante à da Pacovan.

FHIA 18: É um híbrido tetraplóide (AAAB) desenvolvido pela Fundação Hondurenha de Investigação Agrícola, América Central. Os frutos de 15 cm de comprimento são de sabor doce. Apresenta porte baixo/médio, produtividade superior a 20 t/ha. É resistente à Sigatoka-amarela e à Sigatoka-negra.

Prata-Graúda: Em parceria com a Empresa Agropecuária de Minas Gerais - EPAMIG, a Embrapa Mandioca e Fruticultura recomendou em 2002 a variedade de banana Prata-Graúda, híbrido tetraplóide (AAAB) introduzido de Honduras, resultante do cruzamento entre 'Prata Anã' e o diplóide SH33-93. Produz frutos com polpa de coloração creme, sabor e aroma semelhantes aos da 'Prata Anã', porém de tamanho superior aos desta. Em comparação com a 'Prata Anã' e a 'Prata Comum', variedades de grande expressão nacional, a ‘Prata-Graúda’ apresenta: maior resistência ao despencamento dos frutos, resistência ao mal-do-Panamá, um dos principais fatores limitantes da bananicultura mundial, mediana tolerância / suscetibilidade à Sigatoka-amarela, porte médio e alta produtividade (até 30 t/ha/ano em condições de sequeiro e até 65 t/ha/ano sob irrigação). Aliada a essas características, a ‘Prata Graúda’ possui baixo índice de perfilhamento, o que reduz os custos com desbastes.

Variedades de citros

Laranja ‘Pineapple’: Com o objetivo de elevar a produtividade e reduzir a deficiência de suprimento de frutos ao longo do ano, foi lançada em 2002 a laranja ‘Pineapple’, mediante clone nucelar obtido na Embrapa Mandioca e Fruticultura, a partir de sementes introduzidas de Riverside, Califórnia. A ‘Pineapple’ é uma variedade de porte alto, cerca de 3,6 m, copa cilíndrica e forma lembrando um fruto de abacaxi (daí o nome da cultivar), circunferência em torno de 11,0m e diâmetro do tronco de cerca de 16 cm. Os frutos são de tamanho médio, peso de 240 g, casca ligeiramente rugosa, amarelo desuniforme, polpa alaranjada, sucosos, 10,9% de sólidos solúveis totais e 0,9% de acidez total titulável. Trata-se de uma variedade precoce, colheita de março a junho, e de alta produtividade, atingindo 40 t/ha. A recomendação da variedade Pineapple constitui uma etapa da diversificação de cultivares-copa de citros, de maneira a permitir a ampliação da faixa de colheita dos pomares, favorecendo o aproveitamento da mão-de-obra e o processamento de suco em prazo mais longo, além do próprio abastecimento do mercado interno. A laranja ‘Pineapple’ caracteriza-se como uma fruta que atende principalmente o mercado de suco concentrado.

Limão ‘Cravo Santa Cruz’: A Embrapa Mandioca e Fruticultura lançou em 2002 a variedade porta-enxerto de citros limão ‘Cravo Santa Cruz’, mutação de gema do limão ‘Cravo Santa Bárbara’, identificada no Banco Ativo de Germoplasma de Citros - BAG Citros. Essa variedade apresenta planta de arquitetura globular, brotações de coloração bronzeada, folhas não aladas e com limbo ondulado, flores de coloração arroxeada, boa produção de frutos, principal floração em agosto-setembro, frutos de coloração laranja-avermelhada, com casca de fácil remoção quando maduros, forma achatada. O limão ‘Cravo Santa Cruz’ destaca-se por sua elevada produção de sementes, média de 16,8 por fruto, correspondente ao dobro da média (7,9 sementes/fruto) das variedades de limão ‘Cravo’ tradicionalmente usadas como porta-enxerto. Além do número de sementes elevado, a seleção ‘Cravo Santa Cruz’ também apresenta alta percentagem de poliembrionia, da ordem de 60,9%, em comparação com 44,1% normalmente constatada em outras variedades desse limoeiro. Outras características do limão ‘Cravo Santa Cruz’: grande rusticidade, adaptação a diferentes condições de clima e solo e tolerância às estirpes comuns do complexo do Vírus da Tristeza dos Citros.

Tangerina ‘Page CNPMF”: opção para a citricultura de mesa: A citricultura brasileira padece de um grave problema: uso concentrado de cultivares copa e porta- enxerto. O uso predominante da combinação laranja ‘Pêra’ x limão ‘Cravo’ torna a citricultura vulnerável, com riscos imprevisíveis. Enquanto o grupo das laranjas doces atinge 90% das preferências, as tangerinas e seus híbridos restringem-se a 5%, o que contrasta com a tendência mundial no aumento do consumo de frutas cítricas “fáceis de descascar” e sem sementes. A diversificação de cultivares copa e porta-enxerto é uma meta que a Embrapa Mandioca e Fruticultura vem perseguindo de forma enfática. Com a recomendação da ‘Page’ em 2003 espera-se introduzir novas alternativas que permitam ampliar a faixa colheita dos pomares com frutos de qualidade melhorando a participação de frutos cítricos no mercado interno. É um clone nucelar obtido na Embrapa Mandioca e Fruticultura de semente introduzida da Flórida, EUA. Trata-se de híbrido interespecífico complexo, entre tangerina ‘Clementina’ C. clementina x tangelo ‘Minneola (pomelo ‘Duncan’ C. paradisi x tangerina ‘Dancy’ C. tangerina). Deve ser cultivado em espaçamento 6,00 m x 4,00 m, visando principalmente o mercado de frutos in natura.

Tangelos - Híbridos Resistentes à Clorose Variegada dos Citros (CVC): A clorose variegada dos citros, causada pela bactéria Xylella fastidiosa, afeta as principais variedades de laranja doce. Em 1990, com o objetivo de selecionar variedades resistentes à doença, um programa foi iniciado pelo Centro APTA Citros Sylvio Moreira – IAC em parceria com o Instituto Biológico de São Paulo, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral e uma empresa produtora de suco concentrado, a Bascitrus. Foram estabelecidas duas coleções de 153 acessos de diversas espécies de citros nas regiões Norte e Noroeste de São Paulo, em áreas de alta pressão de inóculo, vizinhas a pomares infectados. De 1993 até 1998 foram realizadas inspeções visuais bimestrais. Testes de detecção de proteínas (Dot-Blot e Western-Blot) e de DNA da bactéria (PCR) foram também aplicados em amostras de cada variedade. Dentre os acessos avaliados, os tangelos estiveram entre os que mais se destacaram. Tangelos são híbridos entre tangerinas (Citrus reticulata Blanco) e pomelos (Citrus paradisi Macf.), geralmente obtidos por polinização artificial. Na maioria dos casos, seu formato, cor e facilidade de descascamento são muito parecidos aos das tangerinas. Os primeiros resultados apareceram quando as laranjas-doces e algumas tangerinas começaram a apresentar sintomas da CVC, que não eram encontrados nos tangelos. Poucas variedades de tangelo apresentaram sintomas e outras, como a Fairchild, nunca tiveram a bactéria causadora da CVC detectada em seus tecidos. Mesmo as que apresentam sintomas em folhas nunca foram observadas com frutos de tamanho reduzido, típicos da doença.

Variedade de acerola

Cabocla: A variedade Cabocla foi selecionada no BAG Acerola da Embrapa Mandioca e Fruticultura. Recomendada tanto para processamento como para variedade de mesa, produz frutos grandes, firmes, com peso médio de 12,8 g, com sulcos profundos, casca lisa de cor vermelha, polpa de coloração laranja, boa palatabilidade, alta relação polpa/caroço, em torno de 6,8, e teor de ácido ascórbico superior a 1.000 mg por 100 g de polpa. Dessa maneira, constitui excelente alternativa para o pequeno produtor. As plantas adultas apresentam produção superior a 40 kg de frutos/ano em condições adequadas de suprimento de água e nutrientes. Adaptada à Região Nordeste, a ‘Cabocla’ possui resistência às principais doenças da cultura, característica altamente desejável no que tange à preservação ambiental, uma vez que dispensa o uso de agrotóxicos. Aos sete anos, as plantas apresentam altura de 2,4 m e copa globular, o que facilita a prática da colheita.

Variedade de abacaxi

Imperial: As cultivares de abacaxi mais plantadas atualmente no Brasil são Pérola e Smooth Cayenne, ambas suscetíveis à fusariose, principal problema fitossanitário da cultura no País. Para minimizar este problema, são necessários o plantio de mudas sadias e pulverizações freqüentes com fungicidas. No entanto, a utilização de cultivares resistentes é o método mais eficiente e econômico recomendado para o controle dessa doença. A Embrapa Mandioca e Fruticultura vem desenvolvendo, desde 1984, um programa de melhoramento genético do abacaxizeiro, com o objetivo de obter variedades resistentes à fusariose e que produzam frutos de boa qualidade para atender às exigências do mercado. O abacaxi Imperial é um híbrido resultante do cruzamento de ‘Perolera’ com ‘Smooth Cayenne’, obtido em 1998. Nas avaliações realizadas em distintas regiões produtoras do Brasil, esse híbrido destacou-se dos demais genótipos, apresentando resistência à fusariose e produzindo frutos com polpa amarela, elevado teor de açúcares e excelente sabor nas análises sensoriais. Outra vantagem do abacaxi ‘Imperial‘ é a ausência de espinhos nas folhas.

Antonio Alberto Rocha Oliveira e Jorge Luiz Loyola Dantas, Engº Agrº, D.Sc, são pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas, BA.

Endereço para Contato:

Antonio Alberto Rocha Oliveira
Embrapa Mandioca e Fruticultura
Caixa Postal 007
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