Artigo de Fernando Marrey Ferreira*

Agricultura sustentável

A produção agrícola de nosso país é um dos pilares para nosso desenvolvimento econômico, apesar dos preços internacionais destes produtos estarem baixos, a longo prazo, com o crescimento populacional da humanidade a demanda por alimentos é crescente, tendendo à elevação dos preços agrícolas. Esta análise preliminar é otimista para o Brasil, um dos países que possui maior quantidade de terras agricultáveis do planeta. Devemos, portanto, conservar nossas terras sadias, ou seja, a forma de exploração deve seguir critérios de conservação que propiciem uma longa vida útil. A larga utilização de produtos químicos nas lavouras causa sérios danos ao meio ambiente, danificando o solo. Deve o governo, portanto, incorporar a idéia de uma agricultura sustentável, introduzindo políticas públicas que visem a absorção deste objetivo pelos agricultores brasileiros.

Agricultura sustentável pode ser definida pela busca da maior produtividade possível com maior grau de preservação da natureza, incluído aí a preservação do solo, da água e do ar entre os ciclos produtivos. A rotação de culturas é basilar neste processo. Se em determinado ano se planta milho, esta cultura vai alimentar-se de determinados nutrientes do solo, deve-se plantar no ano seguinte a soja que irá repor nutrientes que foram consumidos pelo milho, como o nitrogênio. Desta forma, cai o custo de preparação do solo, pois está sendo naturalmente preservado, evitando-se a utilização de pesadas cargas de fertilizantes sintéticos. A monocultura deve, portanto, ser abandonada. As técnicas de conservação do solo entretanto devem ser observadas, para evitar-se a erosão, que pode ocorrer através dos ventos formando redemoinhos gigantes que carregando a parte fértil do solo, a superficial. A ação das chuvas também pode danificar a terra do agricultor com a formação de crateras, muitas vezes inviabilizando a utilização da área para novo ciclo produtivo. Terras produtivas podem virar improdutivas do dia para noite, isto ocorre em larga escala no Brasil. Uma forma de se evitar e de se preservar o solo da ação da natureza é conservá-lo sempre plantado. A natureza no estado virgem, cobre o solo com a vegetação, devem os agricultores preservar esta característica. Uma das maneiras que podem proceder é utilizar o plantio direto, ou seja, antes de colher milho, por exemplo, pode-se plantar aveia, cultura de inverno; então, quando se colhe o milho,a aveia já está nascendo, proporcionando uma constante massa verde na superfície do solo, evitando-se a ação da erosão. O custo da produção também cai, pois, está técnica extermina as constantes remexidas da terra por pesados tratores, além de evitar-se sua compactação. Conforme os anos vão passando, a quantidade de massa verde não incorporada ao solo também vai crescendo, como vantagem adicional, esta camada mantém a umidade do solo por muito mais tempo, evitando-se os "nefastos" efeitos de possíveis "veranicos".

O conceito de propriedade produtiva deveria ser ampliado para propriedade ecologicamente produtiva e só estas não seriam passíveis de desapropriação para reforma agrária, é uma forma de impor aos proprietários rurais patronais a utilização de técnicas preestabelecidos para implementação da agricultura sustentável. Um grande desafio para nossa sociedade é incorporar os ideais de sustentabilidade, quando existe tanta miséria e desigualdade social, mas é um objetivo à ser almejado. Dentro deste contesto uma questão que pode ser formulada é a seguinte: Existe a possibilidade da agricultura sustentável vingar nos assentamentos rurais, nas pequenas propriedades e na agricultura familiar?

*Fernando Marrey Ferreira, 34, advogado do povo, especialista em Integração Regional – USP e especializando-se em Jornalismo Internacional na PUC-SP. E-mail fmarrey@sol.com.br

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