Fertirrigação: produtor de leite recupera investimentos em seis meses


Popularizado no Brasil há pouco mais de três décadas, o sistema de fertirrigação – que utiliza o tratamento de dejetos animais pelo processo de biodigestão na produção de fertilizante – começa a ser adotado pelos produtores familiares de Mato Grosso do Sul alcançando resultados positivos. O produtor consegue reduzir os gastos, além de promover aumento na produção de leite e a sustentabilidade do meio ambiente, com a destinação correta de material orgânico.

Bons resultados

Em Sidrolândia (MS), os dados comprovam a viabilidade do sistema. O proprietário, Altair Alves Ferreira, por exemplo, investiu R$ 1.200 na formação de uma área (1 hectare) com pastagem feita a partir de forrageira específica para produção de leite e R$ 4.150 para construir o espaço de fertirrigação. “Se considerarmos o investimento total de R$ 5.350 e a economia que o produtor citou, em no máximo seis meses ele recuperará o que investiu. Além disso, terá a vantagem de futuramente só precisar adquirir mais tubulação para ampliar a área irrigada”, diz o técnico de campo do Senar/MS, Francisco Assis Borges.

Ferreira é proprietário de um lote de 16 hectares, no município de Sidrolândia (MS). Depois de visitar uma propriedade em Terenos (MS) que já utilizava a técnica, construiu em janeiro, o espaço com tanques de alvenaria, tubulações, motor e aspersor (utilizado para irrigar áreas cultivadas). “A pastagem adubada ficou pronta para corte em 60 dias e possibilitou a economia de 14% no custeio da atividade. Em números significa que estou deixando de gastar R$ 900 reais pelo segundo mês consecutivo”, afirma o produtor.

Além da economia com a compra de ração, Ferreira aumentou a produção de leite e manteve a média diária de ordenha, mesmo com seis animais a menos em lactação (prenhas). “A produção no período que iniciei a suplementação com forrageira era de 120 litros, no entanto, trabalhava com 18 animais. Consegui sustentar a produção e planejo aumentar a área de pasto irrigado ainda este ano”, diz Ferreira.

Fossa séptica

O responsável pela construção da tecnologia em Terrenos (MS) foi o supervisor do programa Mais Leite, Nivaldo Passos, que utilizou um modelo de fossa séptica adaptado da Embrapa Gado de Leite – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária aproveitando materiais que já existiam na propriedade, reduzindo os custos iniciais. “A sala de ordenha é um dos espaços que merece maior atenção do produtor, por necessitar de limpeza constante em decorrência da concentração de fezes e urina dos animais. O material precisa ser removido a fim de evitar doenças, contaminação do leite ou mesmo, proliferação de moscas e era nossa principal preocupação. Seguimos o modelo do manual da Embrapa e construímos uma fossa com 3 caixas de água, adaptadas a um motor que gera força ao distribuidor do adubo líquido”, diz Passos.

De acordo com Passos, o diferencial da fertirrigação é promover o ciclo completo de sustentabilidade na atividade de leite. “Em termos lucrativos é um ótimo negócio para o produtor, pois, se for bem planejado reduz os dois principais gastos que são o fertilizante usado na manutenção do pasto e a diminuição de concentrado, que complementa a alimentação. Além disso, colabora para uma gestão eficiente dos resíduos orgânicos, proporcionando saúde para o rebanho, os familiares e a preservação do meio ambiente local”, conta o especialista.

Tecnologia de baixo custo

Em Sidrolândia, o técnico do Senar/MS responsável pelo atendimento de 18 propriedades acompanhou a implantação dos tanques na propriedade de Ferreira. Borges destaca que a fertirrigação é uma ferramenta essencial na atividade leiteira e que pode ser aperfeiçoada com a adequação do biodigestor. “O produtor aprende a alimentar o gado e produzir alimento para o ano inteiro e com o retorno obtido na economia dos custos produtivos poderá planejar a implantação de um sistema chamado biodigestor que permite produção de energia e gás, completando o ciclo sustentável da bovinocultura de leite”, diz o técnico.

Segundo o superintendente do Senar/MS, Rogério Beretta, a metodologia de ATeG – Assistência Técnica e Gerencial demonstra eficiência em todas as etapas da cadeia produtiva, pois, atende necessidades que vão desde conhecimentos gerenciais até tecnologias que impactam na melhora da produção. “O trabalho feito pelas equipes de assistência técnica procuram desenvolver uma visão holística da atividade rural, avaliando as condições financeiras, sociais e culturais de cada região. Acredito que o diagnóstico inicial feito com os grupos em todas as linhas de atendimento está proporcionando uma mudança de comportamento efetiva e consequentemente, o avanço na produtividade e lucratividade”, diz.

Fonte:SF Agro em 15/05/2017


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