Especialista: Acordo de Paris possui enorme potencial econômico para Brasil


Segundo especialista, abandonar o Acordo de Paris, segundo proposta do presidenciável pelo PSL, Jair Bolsonaro, seria, além de anti-democrático, uma falta de visão econômica.

Esta semana, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o presidente do Chile, Sebastián Piñera, pediram ao Brasil que não renuncie ao Acordo de Paris contra a mudança climática.

Segundo o acordo, os países se comprometem a reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável.

A proposta de abandonar o acordo foi feita pelo candidato do PSL à presidência, Jair Bolsonaro. Segundo Carlos Nobre, ambientalista, climatologista e criador do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desatres Naturais), a medida seria, além de antidemocrática, acabaria com um enorme potencial econômico.
O especialista revelou que as pesquisas de opinião pública internacionais demonstram que o Brasil está entre os três países com a população mais preocupada com as mudanças climáticas. Além disso, "o Brasil está entre os três países, no qual a população está disposta a fazer um sacrifícios" para combater as mudanças no clima.

Por esse aspecto, o Brasil não deveria abandonar o acordo de Paris, se o governo continuar respeitando a vontade popular.

"O Brasil sempre foi um protagonista [na área], começando com a Rio92, passando pela Rio+20", destacou o ambientalista.

"É uma reversão que, se acontecer, me parece que será contra a população brasileira. Será uma medida autoritária, em defesa de alguns interesses econômicos muito escusos", acrescentou Nobre.

O Acordo de Paris, celebrado em 2015, reconhece que as mudanças climáticas representam um grande risco para a população do planeta. Os signatários estabeleceram metas e se comprometeram a reduzir as emissões de carbono, bem como criar criar mecanismos para retirar o carbono da atmosfera.
O Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025. Aumentando gradualmente a redução das emissões em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030.

O ambientalista explicou à Sputnik Brasil que, através da restauração das florestas tropicais, que podem retirar grandes quantidades de gás carbono, o país teria uma grande vantagem no futuro. Isso "representa um grande potencial econômico", desde que essa "retirada de carbono seja pressificada".

Além disso, a medida ajudaria a desenvolver a agricultura.

"Manter os ecossistemas naturais é muito benéfico para a própria agricultura", disse o especialista. Você consegue aumentar grande quantidade de polinisadores ao preservar as áreas de ecossistemas naturais.

"Isso vai tornar a agricultura brasileira muito mais lucrativa e competitiva", concluiu Carlos Nobre.

Fonte:Spuntniknews, outubro de 2018

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